
Saber falar bem um idioma significa também conhecer a cultura do país em que a língua é falada.
Além do vocabulário, pronúncia, entonação e gramática, é preciso também conhecer a gramática social, ou seja, saber dizer (ou não) o que seja socialmente adequado à situação. Por exemplo, nos Estados Unidos, tratar uma pessoa em um posto profissional mais alto (relação chefe-subordinado) pelo primeiro nome pode ser visto como desrespeitoso. É preciso esperar que a pessoa diga que pode ser chamada pelo primeiro nome, caso contrário, deve-se chamar a pessoa pelo título e sobrenome.
No Brasil, os alunos de inglês costumam chamar o professor de “teacher”, numa tradução do vocativo “professor”, usado em português para chamar a atenção do denodado mestre. Mas em inglês, “teacher” não é título. Deve-se chamar o professor pelo título Mr. para homens e Ms. para mulheres (independente de estado civil) ou Miss (para solteiras), ou ainda, Mrs. para as que ainda preferem ser chamadas pelo sobrenome do marido, mesmo que já estejamos no século XXI, quando muitos domicílios são geridos e sustentados por mulheres... But I digress...
Voltando aos títulos:
Ex.:
Um professor ou diretor de escola de ensino médio será chamado de Mister, por exemplo, Mr. Weatherbee; uma professora, de Ms. ou Mrs., como por exemplo, Mrs. Krabappel.
Caso o professor tenha mestrado, o que é o normal em faculdades, o título é Professor: Professor Geller; ou Doctor, caso ele tenha doutorado: Dr. Solomon.
No Brasil é diferente. Aqui é comum tratarmos o professor por “você” e pelo primeiro nome, sem que isso configure desrespeito. O tratamento é aceito em nossa gramática social.
Um bom exemplo de como se pode quebrar regras da gramática social e com isso gerar desconforto por se agir e falar de uma maneira que contraria as normas da convivência social é um dos meus seriados favoritos de todos os tempos: Third Rock From The Sun.
Nesse seriado, alienígenas assumem forma humana em uma missão cujo objetivo é descobrir o que é ser um ser humano. Embora todos falem inglês perfeito, escorregam na expressão das emoções, sempre exageradas para a situação, e são freqüentemente descorteses, por serem diretos demais e perguntarem ou falarem coisas impróprias, do tipo: "Na sua família todo mundo é feio assim ou é só você?"
Para ilustrar como barbarizar a gramática social do inglês americano, escolhi para os leitores um episódio em que os alienígenas descobrem que os outros os consideram “weird” (esquisitos) e ficam preocupadíssimos, pois isso implica que não estão cumprindo a missão adequadamente.
Para corrigir o erro, compram livros que explicam como vive o americano médio (ou vivia, antes dessa crise financeira que não pára de assolar o país) e tentam seguir tudo à risca.
A primeira decisão é a mudança de casa, depois, passam a se vestir, comer e ler só o que o americano médio consome.
Divirtam-se com o episódio!
Parte 1
Parte 2
Parte 3






