Wednesday, March 31, 2010

Ai, que dor de cabeça!

Semana passada fiquei sete dias com dor de cabeça... Sério! Sofro desse mal desde que tinha sete anos de idade. Nossa! Quanto sete! Dizemos que sete é conta de mentiroso, mas nesse caso é verdade!
Esta semana, como estou bem melhor, escrevo sobre as preposições, que dão muita dor de cabeça - ainda que no sentido figurativo - a quem aprende inglês (ou qualquer língua).
Um dos motivos para as preposições serem tão difíceis de se aprender vem do fato de muitas não terem uma relação lógica aparente com as palavras a que se encadeiam.
Podemos dizer, grosseiramente, que existem palavras "cheias"  e palavras "vazias" de conteúdo.
As "cheias" seriam os substantivos (cadeira, amor), adjetivos (bonito, frio), verbos (pare, viajou), etc.
Essas palavras comunicam um sentido para quem as reconhece em um determinado contexto. Ou seja, fazem com que nos lembremos de um conceito, como por exemplo: o que é uma cadeira, como é o sentimento amor ou como é algo bonito. Lembramo-nos de imagens e / ou experiências com tais objetos, emoções, etc.
Já as preposições não despertam em nós uma lembrança de um conceito imediato. Tente pensar que imagens as preposições a seguir despertam em você: a, de, para, com. Difícil, não é? Por isso as preposições são consideradas palavras "vazias".
Por serem "vazias", fica mais difícil lembrar quando usá-las em inglês (ou outra língua estrangeira; até em espanhol, essa língua prima da língua portuguesa, há diferenças. Nem sempre podemos usar em espanhol as mesmas preposições do português, embora haja semelhanças).
Claro que há associações com significados que podemos fazer para ajudar a memória.
Por exemplo:
from (de) pode significar origem: I'm from São Paulo, Brazil. (Sou de São Paulo, Brasil.)
to (para) pode significar destino: I'm going to Rio on Easter. (Vou para o Rio na Páscoa.)
in (em) pode significar localização dentro de um limite: I'm in Rio. (Estou no (em + o) Rio.)
on (sobre) pode significar localização (em cima de algo, por exemplo): The book is on the table. (O livro está sobre a mesa.)
As associações podem fazer mais sentido se visualizadas com a ajuda de um mapa mental ou de ilustrações.

Mas nem sempre essas associações funcionam. Assim, uma boa maneira de memorizarmos as preposições é colocá-las em estruturas de frases com contexto conhecido. Quanto mais a preposição estiver em uma frase que tenha sentido e, se possível, significado pessoal para quem a lê, fala ou escreve, mais fácil de lembrar. Por exemplo: I'm tired of the BBB show! I never watch it, but people talk about it all the time! (Estou cansada do BBB! Nunca assisto, mas as pessoas falam sobre isso o tempo todo!) Ao escrever algo que me desperta uma resposta emocional (no caso do BBB, raiva visceral, :-), as chances de lembrar das palavras em inglês aumentam.

E há também os casos de regência, ou seja, certas palavras pedem certas preposições, como em português: Quem vai, vai a algum lugar. Quem vem, vem de algum lugar.

Venho de São Paulo. Vou ao Rio. (NÃO diga: Vou no Rio. Quem vai no (em + o) rio, se molha! :-)

Assim, ao ler ou ouvir preposições que queira memorizar, sempre verifique qual a palavra que a antecede, ou seja, que vem antes dela na frase. No texto escrito, a palavra que vem à esquerda da preposição. Regência, em inglês é agreement. Para saber que verbos  normalmente pedem determinadas preposições, é preciso prática.

Fazer exercícios com frequência também ajuda. Aqui há uma série deles,  com explicações em inglês.
Para praticar as preposições de lugar, clique aqui. Esse é um exercício para iniciantes.
Este é mais avançado. Este também.
Quem é mais avançado e se prepara para um exame como o Toefl, pode fazer um teste aqui.
Para quem gosta de ler em inglês britânico, este teste é bem divertido. Temos de clicar nas preposições que aparecem no texto. Como elas são palavras mais de ligação do que de significado (são "vazias", lembram?), tendemos a não vê-las. O cérebro faz o olho "pular" as preposições e ler as palavras "cheias". Fiz o teste e, já no primeiro, deixei passar uma. Boa diNERDsão! :-)


The book is on the table and the free clipart is here.

Sunday, March 28, 2010

Ler é muito bom!

Nem saindo das redes sociais estou tendo tempo de postar com mais frequência como gostaria. Peço desculpas aos leitores, que mesmo assim prestigiam meu blog, diariamente.
Escrevo num domingo de tarde chuvoso, depois de uma atribulada semana com muitas aulas e traduções.
Tive aulas a mais por conta de alunos prestando exames. Um desses exames é conhecido como IB.  Um exame dificílimo, se considerarmos que é para quem termina o ensino médio. É uma espécie de vestibular, só que com provas e trabalhos escritos e orais. Esse exame é oferecido no mundo todo em escolas internacionais. A língua portuguesa figura entre os idiomas pelos quais o aluno pode optar para fazer o estudo da literatura.
Para o professor que prepara candidatos à prova, é uma tarefa de muita responsabilidade, pois precisamos formar ou desenvolver leitores com capacidade de crítica literária e de redação perto do impecável, em língua portuguesa. Cá entre nós, é trabalhoso, mas a leitura é dos grandes prazeres da vida, a meu ver.
Como escreveu Mário Quintana: "Um livro é a melhor forma de se estar sozinho e acompanhado ao mesmo tempo." Perdoem-me se não repito textualmente, mas estou citando de memória e a essa altura da vida, sei lá... :-)

Para quem não gosta de ler, se aguentou chegar até o fim deste post, agradeço pela paciência e sugiro uma passada de olhos pelos poemas de um dos meus poetas favoritos. Duvido que não gostem! Depois, passem aqui e me contem.

Um grande beijo a todos!

O clipart gratuito de livros saiu daqui.


 

Thursday, March 11, 2010

Como ser professor / Como ser tradutor

Recebi um e-mail  com um pedido de sugestões sobre como passar a ensinar apenas por Skype e como tornar-se tradutor para poder aumentar rendimentos.

Tenho de começar dizendo que ambas as profissões não figuram nem de perto entre aquelas que permitem a uma pessoa ter excelentes rendimentos, principalmente em início de carreira.
Para quem vai começar uma profissão nova, o ideal é escolher algo que lhe traga satisfação e que, em consequência da dedicação, possa trazer vantagens financeiras também.

Não conheço a pessoa que me escreveu, então, vou aqui dar algumas outras sugestões gerais.

Ser professor de línguas ou tradutor são duas atividades muito disitntas, que requerem habilidades específicas e anos de estudo e prática. Para escolher qualquer uma das carreiras é essencial que a pessoa adore ler e estudar sobre qualquer assunto, pois nunca podemos saber qual tema vai surgir em uma aula de conversação ou em um trabalho de tradução. Os profissionais dessas áreas têm de estar em constante atualização por meio de cursos, leituras, prática com novas tecnologias, etc.

As aulas por Skype, por exemplo, são muito práticas por evitar a locomoção de alunos e professores, principalmente nos grandes centros urbanos ou quando a distância impede a aula presencial. Contudo, é uma aula que exige do professor tanto ou mais empenho para preparar, manter o aluno motivado e atento, entre outras questões, que só a prática pode ensinar.

Uma outra pergunta nesse e-mail relacionava-se a quanto cobrar por uma aula via Skype. Para isso, é preciso que a própria pessoa faça uma pesquisa na Internet com profissionais que oferecem esses serviços e que considere também suas habilidades, tempo de formação acadêmica, tempo de experiência e custos envolvidos no processo.
Para cada aula, existe um tempo de preparo, que deve ser incluído no valor. Quanto mais individualizado for o curso, mais tempo o professor passará na tarefa de pesquisar ou produzir materiais. Portanto, é preciso sentir prazer nessas tarefas e gostar de pessoas para poder ensinar.

Sei que coloquei coisas demais nesse post, mas nem de perto cheguei a tocar em muitas questões envolvidas na arte de traduzir ou ensinar um idioma.

Prometo que tentarei escrever mais em uma próxima oportunidade!

Por enquanto, vocês podem aprender mais nessa entrevista.

Monday, March 08, 2010

Dia Internacional da Mulher

"Hoje o mundo todo se reverencia em homenagem à mulher."
Acabei de ouvir isso na TV (sempre ela, essa fonte inesgotável de assuntos para meu blog ;-).
Nem sei por onde começar a dizer o que há de problemas na frase.
Como ainda tenho de terminar de arrumar a casa antes de sair para dar aulas, vou deixar a palavra com a leitora  ou leitor que queira comentar. Vou gostar muito. Renda suas homenagens à mulher, reverencie-a, ajudando a corrigir os problemas de conteúdo e forma nas palavras da jornalista.
Depois eu volto!
Beijos e feliz segunda-feira, mulheres do mundo todo!

Sunday, March 07, 2010

Esta mensagem não custa nada!

Um morador de Araçatuba, meu querido e inesquecível torrão natal, me escreveu o seguinte, à propósito da minha mensagem sobre não fazer nada:
"Não fazer nada, significa o contrário de fazer nada, portanto, fazer alguma coisa.
O correto é fazer nada. Isso sim é ócio."
Essa é uma brincadeira possível, pois o português, ao contrário do inglês, admite dupla negação.
Explico melhor:
Em inglês, não posso negar duas vezes na mesma oração. Assim, para dizer "Não quero fazer nada hoje, pois é domingo.", teria duas possibilidades do ponto de vista estrutural:
"I do NOT want to do ANYTHING today because it's Sunday."
ou
I want to do NOTHING today because it's Sunday.
Entretanto, em inglês informal, essa regra é relaxada e podemos ouvir a mesma idéia assim expressa:
I don't (= NOT) wanna do nothing today because it's Sunday.
Já em português, a regra está mais para Pedro, o apóstolo que negou Cristo três vezes.Nós não vamos tão longe mas podemos negar duas vezes, não o Cristo, mas o verbo!
Para ênfase, colocamos duas negativas na mesma oração e dizemos NÃO quero fazer NADA.
O jogo de palavras do leitor que cito acima é possível quando aplicamos a regra do inglês ao português, ou seja, dizemos que não fazer nada é fazer algo e que, para ficar sem fazer nada, precisamos fazer nada, em vez de não fazer nada. Entenderam ou estou pedindo demais nesta tarde de domingo?
Bem, se não expliquei direito, vejam o Professor Pasquale explicar melhor aqui.
Bom domingo a todos e aproveitem para... não fazer nada. E sem culpa! Afinal, isso é português corretíssimo! :-)




Clipart nostálgico aqui (também isento de culpa, pois é de domínio público). Os cliparts de domínio público são grátis. Não custam nada! ;-)

Saturday, March 06, 2010

Se o código é de barro...

Acabei de voltar confusa da padaria (ou padoca, como dizemos informalmente em São Paulo): A menina do caixa me disse que o produto que comprei estava sem código de barrO e, por isso, a registradora não marcava o preço.

Fiquei sem graça de dizer que o que faltava era o código daquelas barras que aparecem na embalagem. E que, por ser um código composto de barras verticais, chama-se código de barra (em inglês, bar code), e não de barrO.

Resolvi, então, escrever esta mensagem, em vez de encabular a moça.

Daí, pensei: se o código é de barrO, será que o santo é de barrA? Afinal, o andor que carrega o santo do provérbio também tem barras, não tem? :_)
Mais isso é assunto para  outra mensagem...




Clipart do santo sem andor, mas de domínio público, aqui. E do código de barras aqui.

Devagar com o andor...

Nas procissões católicas, que antigamente eram muito comuns nas cidades do interior, e ainda sobrevivem em muitas, muitas vezes as imagens de santos são carregadas em andores: um tablado de madeira com duas barras longas e paralelas uma de cada lado, que servem para apoiar o tablado sobre os ombros dos que carregam as imagens.
Isso precisa ser feito com cuidado e calma, senão, o santo pode escorregar, cair e quebrar, pois é feito de barro (louça ou cerâmica). Assim, a expressão "Devagar com o andor, que o santo é de barro", passou a ser usada para significar: "Calma! Não se apresse, pois a preciptação pode causar problemas."
Existe outra expresão semelhante, mas referindo-se à comida: "Quem tem pressa come cru e quente."
Em inglês há vários ditados sobre o mesmo tema. O clipart de domínio público que ilustra essa mensagem traz um deles, que diz mais ou menos: "Devagar e com determinação se ganha a corrida." ou "Devagar e sempre!", como dizemos em português.

Feuerstein descreveu uma importante função cognitiva, mas que nem sempre é usada, chamada "controle da impulsividade". Por meio dessa habilidade mental, a pessoa controla sua pressa e reflete antes de responder a qualquer pergunta ou problema. Esse controle da impulsividade é fator que contribui enormemente para a realização de tarefas, sejam elas domésticas, da empresa ou escolares.

Uma boa forma de entender o que faz essa função é pensar que a pessoa que controla a própria impulsividade não derruba o santo do andor, não queima a língua ao comer comida que nem acabou de cozer e não perde a corrida. Entenderam? :-)

Para falar dos outros...

Fim de semana, hora de se preparar para não fazer nada. E que tal não fazer nada em inglês?
Neste jogo (tá, é um exercício, mas se você encarar como um jogo, fica mais interessante), ouça a gravação e escolha o adjetivo que melhor descreve a pessoa sobre a qual o locutor fala.
Se não souber o significado de algum adjetivo, vá ao meu dicionário gratuito favorito, o answers.com. Ali você pode ver a definição da palavra em inglês e, se não entender, tem a tradução para o português mais abaixo na página. Basta usar a barra de rolagem.
Brincando você aprenderá palavras específicas para descrever as personalidades das pessoas.
Boa diversão!













A moça simpática aí ao lado saiu daqui. Clipart gratuito para professores.

Monday, March 01, 2010

Feliz Páscoa! Happy Easter!


O tempo voa quando a gente está se divertindo! (Em inglês: Time flies when you’re having fun!)

O Carnaval veio e se foi e a Páscoa já vem vindo aí. Esse é meu feriado favorito em virtude do alto teor chocólico! ☺

Para quem dá aulas para crianças, existem muitas atividades divertidas e bonitinhas de Páscoa aqui.

Outra brincadeira divertida são os trava-línguas (em inglês, tongue-twisters), que aparecem aqui.

O professor pode criar os próprios jogos e exercícios aqui. Leva tempo, mas vale a pena.

Para adultos e crianças existem atividades variadas, inclusive textos para diversos níveis sobre a Páscoa, aqui.

O clipart fofo (em inglês, cute), que ilustra este post, veio daqui. Sei que minha amiga Marta vai adorar essa dica do clipart. Espero que vocês também.

Boa diversão e Happy Easter!

Feliz Páscoa e Feliz Pesach !! (em inglês, Happy Easter and Happy Pesach!)




Feliz Páscoa e Feliz Pesach a todos! Em 2010 esses feriados cristão e judaico serão celebrados nas datas: Pesach em 29/03 e Páscoa em 04/04. Bom motivo para pensarmos sobre a possibilidade de renovação e renascimento e também sobre a etimologia dessas palavras, ou seja, sobre o nascimento das palavras. Que tal?
Easter (Páscoa em inglês) deriva de Eostre, deusa anglo-saxã da primavera, associada a símbolos de procriação, como os ovos e coelhos usados pelo comércio para representar a data.
Já a palavra Páscoa vem do hebraico pesach pelo grego, páscha, e significa passagem. Os cristãos celebram a ressurreição de Cristo no domingo de Páscoa, ou seja, a passagem de Cristo da morte para a vida eterna.
Pesach também deu origem a Passover em inglês, que é o nome dado à celebração da fuga dos judeus do Egito, liderados por Moisés. Em inglês, podemos nos referir a esse feriado como Passover (Pesach), ou seja, com a mesma palavra que deu origem à palavra Páscoa dos cristãos.
Aproveite a ocasião para também treinar seu inglês, assistindo a este vídeo do History Channel.
Se você for professor, pode usar o texto aqui do blog para discutir o assunto com seus alunos e depois mostrar o vídeo. Tenho certeza de que eles vão entender e gostar. Despois, volte aqui para me contar como foi, ok?